Brasil é o 2º no mundo em casos de hanseníase; Janeiro Roxo alerta para diagnóstico precoce

O Janeiro Roxo ilumina um alerta persistente no cenário da saúde pública brasileira. Apesar de ter cura e tratamento gratuito, o Brasil mantém a preocupante posição de segundo país no mundo em número de casos de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia. Dados globais mostram uma queda de 5,5% nos novos casos em 2024, mas a realidade nacional, com uma média anual de cerca de 22 mil diagnósticos, evidencia um desafio estrutural que demanda atenção contínua.

Endemia e subdiagnóstico: os pilares do problema

A hanseníase é uma doença endêmica no Brasil, com transmissão ativa principalmente em regiões de maior vulnerabilidade social e com dificuldades de acesso à saúde. Especialistas apontam que a aparente redução de casos durante a pandemia de Covid-19 não refletiu uma diminuição real da transmissão, mas sim uma queda drástica no número de diagnósticos. Com a retomada das atividades, as notificações voltaram a subir, confirmando a circulação silenciosa da bactéria. Este cenário reforça que o diagnóstico precoce permanece como o principal obstáculo para controlar a doença e evitar suas graves consequências.

O tratamento, disponível no SUS, é eficaz, mas seu longo prazo – que varia de seis a doze meses – pode desafiar a adesão dos pacientes. Paralelamente, a informação de qualidade e o combate ao estigma são ferramentas fundamentais, pois o preconceito ainda afasta muitas pessoas do cuidado médico adequado, agravando o risco de sequelas irreversíveis.

Sintomas sutis e a revolução dos testes moleculares

Identificar a hanseníase precocemente é um desafio porque seus sinais iniciais são frequentemente sutis e confundidos com outras condições. A população deve ficar atenta a:

  • Manchas na pele com perda de sensibilidade ao tato, calor ou dor.
  • Dormência ou formigamento persistente em mãos e pés.
  • Perda de força muscular e dificuldade para segurar objetos.
  • Quedas frequentes de calçados, como chinelos.
  • Câimbras noturnas recorrentes.

Diante de qualquer um desses sintomas, a busca por um dermatologista ou infectologista deve ser imediata. Avanços significativos na medicina diagnóstica, no entanto, estão ampliando as possibilidades de detecção. Além dos exames clínicos, hoje já se utilizam testes rápidos e exames moleculares (PCR), que identificam o DNA da bactéria com alta sensibilidade a partir de uma amostra de pele.

Empresas como a Mobius desenvolveram kits validados para amostras dérmicas, como o XGEN Master Leprae, que podem fornecer um resultado em até 24 horas – um avanço crucial comparado às semanas de espera por uma biópsia convencional. Essas tecnologias representam um salto na capacidade de rastreamento e confirmação da doença.

Tratamento atual e o futuro promissor das pesquisas

O protocolo de tratamento padrão, baseado em uma combinação de antibióticos, é fornecido gratuitamente pelo SUS e tem duração variável. A boa notícia é que o horizonte científico aponta para alternativas ainda mais eficazes. Pesquisas clínicas multicêntricas estão avaliando moléculas como a Telacebec, originalmente desenvolvida para outras infecções por micobactérias. Esses estudos trazem a esperança real de tratamentos mais curtos e com maior eficácia num futuro próximo, potencialmente revolucionando o manejo da doença.

O Janeiro Roxo serve como um poderoso lembrete: a hanseníase tem cura. O combate bem-sucedido, contudo, depende de um tripé formado por informação para quebrar estigmas, acesso a diagnósticos precisos e rápidos, e adesão ao tratamento. Somente com essa abordagem integrada será possível reduzir as sequelas, interromper a cadeia de transmissão e, finalmente, alterar a triste posição do Brasil no ranking mundial desta doença milenar.

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